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Urgência de ser

A vida me chama. Avisa da necessidade das decisões. Da urgência de ser. Enquanto as pernas correm, o sangue pulsa alegria e silêncios ecoam aqui dentro. Tudo ao mesmo tempo. Leio. Durmo. Desperto. Corro. Respiro. Admiro. Sorrio. Penso. Escrevo. Fotografo. Estudo. Dirijo. Ensino. Aprendo. Retorno. Canto. Sonho... Conjugo verbos por onde passo. Parece não ser o suficiente. Algo mudou. Enxergo tudo mais simples. Ao mesmo tempo não visualizo algo. Ainda não sei o que é, mas já sinto falta. Vontade de abraçar!

(in)completude

Surpreendentemente, (quase) tudo está em seu lugar: a casa toda reformada - inspirando ares novos;  os livros reposicionados na estante - um deles novamente próximo à cabeceira; alguns projetos saindo do papel e tomando a devida forma - arquitetando realidade; os movimentos físicos reorganizando a agenda - e principalmente a respiração; o silêncio voltando a reinar sereno - ali fora e aqui dentro também. Eis que, entre tantos sorrisos e muita gratidão, ainda haja a incompletude de uma poltrona vazia, aguardando seus olhos cheios de alegria revelarem-me as novidades... A casa é sua - Arnaldo Antunes

Ausência das palavras

[Fotografia: "Muro de livros" - Hasaliah - Olhares.com] Página em branco. Lápis preto na mão. Os desenhos surgem antes das palavras, e não é de hoje que os traços me encantam. Porém ultimamente a ausência delas - as palavras - têm me incomodado, quase como sapato apertado quando pressiona o calcanhar implorando por pés descalços. Sinto que lentamente tenho me afastado das letras, estas que sempre me conquistaram. Os tantos livros encaixaram-se cuidadosamente na estante novinha em folha, em lugar de destaque, projetados especificamente para acomodá-los. Alguns ainda intactos, repousam nas caixas fechadas pela mudança e anseiam juntar-se aos demais. Outros possuem mais imagens do que vogais. São papéis recheados de desenhos, arquitetados um a um. Enquanto isso, as letras gritam ao longe para não serem esquecidas ali. É o desejo de habitar novamente a mesa de cabeceira, assim mais próximas às mãos e aos olhos atentos a cada página virada. Mesmo que ...

Indo e vindo

Como este post, minha vida também não permite rascunhos. É tudo tão imediato, tão imprevisível, tão ímpar, que simplesmente deixo o vento guiar. E o momento é de mudanças, levezas e inspirações. Plural. Nesse caminhar, aprendi a soltar as rédeas e admirar o novo. Detalhes anteriormente passavam despercebidos. Agora a memória é fotográfica. Sorriso surge espontâneo. E o verbo respirar possui outro ritmo: indo e vindo, expirando alegria!

Essa tal tranquilidade

A vida é cheia de surpresas. Não há nada de surpreendente nesta afirmação. Eu é que tenho me surpreendido com tantos acontecimentos inesperados.  Os ventos mudam. A direção muda. E mudam também as sensações, os encantamentos, as expectativas. Chega sorrateiramente uma tranquilidade que eu mesma não conhecia. E essa palavrinha - a tal tranquilidade - me move de um jeito inexplicável. Me apresenta mais forte e traz serenidade ao mesmo instante. Carrega sonhos novos e aconchego. Me devolve sorrisos espontâneos e brilho aos olhos, que sempre alcancei em pequenos detalhes. Estes mesmos detalhes, pequeninos, me transportam para tão longe e deixam presente alegria genuína. Porque bom mesmo é respirar leveza novamente - fora e dentro. Coração tranquilo! Está aí, uma das minhas palavras favoritas no dicionário: TRANQUILIDADE      (qüi) (latim tranquillitas, -atis) 1. Estado do que permanece tranquilo [quieto, sossegado, calmo, certo, seguro]. 2. Sossego; q...

Das sensações

Rascunho, escrito por um grande amigo, e que hoje se encaixa perfeitamente por aqui: " Sentir-se só, estando cercado de imagens, Sentir-se árido de idéias, vendo muitos livros ao redor, Sentir-se silencioso com tantos CDs para ouvir, Sentir-se só, quando tantas pessoas esperam um telefonema, Sentir-se sem família, quando algumas pessoas esperam apenas um afago para começarem uma. Sensações de uma experiência urbana...".