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Atropelo

Desligo a música que me ajuda a distrair. Hoje parece que nem mesmo a música consegue me reanimar. Uma sucessão de coisas ruins me assolam nestas últimas semanas, daquelas em que buscamos explicação mesmo sabendo que não há. Ressurge a necessidade de escrever, como se as palavras fossem um bálsamo para a alma, como se pudessem expressar algo que eu mesma não sei do que se trata. Os olhos marejam enquanto digito os caracteres aqui... Pausa, respiração profunda... Nada. Enquanto essa maré ruim não se afasta, só consigo pensar na falta que a aula de natação me faz. Aquela uma hora embaixo d'água era um dilúvio enérgico nas notícias ruins. Atualmente elas continuam represadas em mim e, talvez, seja por isso que não consigo olhar para frente sem que as lágrimas encharquem meu rosto. As palavras se atropelam e já não me importo. Sigo com essa sensação de atropelo.

Viver com alegria

Esse momento nos fez repensar a vida. O que fazemos é o que realmente queremos fazer? Nos alimentamos corretamente? O trabalho realmente é prazeroso? Estamos construindo uma vida digna? Reflexões difíceis e necessárias. São tempos de reavaliar os valores, recuperar a essência e seguir em frente, sorrindo. Mas sobretudo, fazendo o que nos traz alegria. A palavra é essa: alegria. Hoje é dia de celebrar a vida, simplesmente porque estamos vivos. Viva!!!

Domingo ensolarado

Um domingo ensolarado, céu azul. Deito para observar as nuvens, que se misturam, se fragmentam e sobrevoam apressadas. O tempo passa mais devagar aqui embaixo. Coloco um cd atrás do outro para ocupar o silêncio. Em vão. As lágrimas escorrem. Aumento o volume e deixo as letras invadirem o quarto e a alma. O silêncio grita. Este é um daqueles dias que evito a internet. Queria mesmo era sair para caminhar ou dirigir sem rumo... E só voltar para casa depois de resgatar a paz. Enquanto isso, me deixe aqui, está na hora de trocar o cd.

Lembranças

Esses dias me peguei lembrando das nossas conversas. Desde o tempo que nos encontrávamos diariamente e o riso era solto. Depois você se mudou de cidade e os encontros tornaram-se mais esporádicos, mas ainda eram tardes inteiras de bom papo. Incluindo algumas noites online, para contar as novidades do dia ou da semana... Eis que você se mudou novamente, primeiro para outro país e depois para a capital, nossos encontros ficaram mais esparsos e o riso mais contido. As redes sociais auxiliam nesse processo à distância, mas também geram controversas. Ultimamente sinto que o diálogo se perdeu, já não conversamos mais sobre nós mesmos, mas sobre os outros. As respostas foram ficando mais curtas e os silêncios aumentaram. As lembranças permanecem, sorrio ao recordar das novidades contadas em primeira mão. Sinto muita falta disso, já não sei viver só de lembranças.